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quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Meu grande amor é desconhecer o mundo. Só assim sei que tenho ainda a vida inteira para conhecê-lo.


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Se fôssemos apenas de carne e osso, que depois é descartável, tenho certeza que não haveria compaixão. Há algo a mais: Dentro de cada animal, planta e pessoa. Há algum tipo de energia, de deus, que nos aproxima, que nos torna humanos.
Eu tenho um cordão umbilical
ligado ao meu Planetinha
Eu nasci da terra e do barro
cheio de lama nos olhos
Eu tenho zil raízes 
em todos os cantos do mundo.
O que os homens ainda não sabem, é que existe uma grande diferença entre conhecimento e sabedoria; existir e viver; estar no mundo, ou ser ele.
Perturbada a noite cala
sendo ela noite-dia o chulo comemorar
da riqueza trazida pelo zéfiro de aroma de ambrósia
e entre acolchoados
nos deitamos no calor do ócio e
do vinho quente, que ardia o pescoço
suavizado
pelo abanar das penas por um escravo

Tibério, tu queres minha mulher?
Venha cá e traga seu mel que
te entrego meu amor,
que o bom gosto é para os olhos
mas para o apetite também.

Não peço alcaçuz, melaço e nem uvas de outro Reino
porque sentir só o vinho posso
E desdenho o azeite fino e o pão requintado
que de migalhas já não vivo mais.
Vivo do dançar defronte a morte
no vivo prazer que me tirou a
sorte.

E lá em cima - ou de trás -
também vejo nosso vilão de Bailleul
Louco seja eu chamado, que
creio mais no vilão do que
em mim.

Ah vilão! trouxeste pra mim
de novo o tocador de trompa!?
O rijo potro, nos vales úmidos que o Sol não vê,
será alimentado de novo!

Oh vilão,
trouxeste a pele francesa
e egipcia pra meu potro degustar!
Tu não te incomodas, violão,
por aqui pastará uma
cavalaria inteira!

Na fonte eterna de
ir e voltar, da secura das mãos e
do aguçado tremor que os olhos
insistem em guardar

Pelo chão, a carne
e a semente amam-se
juntas na hemorragia
letal que
minha pálida e fria bebedeira trouxe.
Fugires

Porque apenas não ando só,
um vago pensamento caloroso me acompanha
e olha por mim cada momento que passo.

Só agora sinto falta dos meus ponteiros lentos,
sinto falta da pura Natureza que me criou.
Que agora a Natureza não anda só,
anda comigo e com os belas.
E vive tudo como se vivesse com ela.
Beija-Flor Chamado Amigo

Querido Beija-Flor,
Carrega o mel de cada dor.
Entre o orvalho de toda rosa,
Rebola e salta em meio à roda!

Ah, Danado!, leva cheio de mimo
Enfim todos meus sorrisos!
Que fiz eu ao receber tanta graça?
Se ao menos eu soubesse – toda vez que ele passa!

Voa, voa, Beija-Flor!
Vá, volte e vêm!
Leve embora meu desdém,
Mas volte à tarde, meu amor,
E – a sussurros – diz no meu ouvido:
“Como é bom estar contigo!”
Certo dia, vi
Uma sem-graça garrafa de papel
Boiando no beijo azul do mar
Pequenas palavras cantarolavam na minha fantasia,
Enviaram-me piratas! Eviaram-me
Um surto roubado,
Uma estrela caída...

Borradas na tinta de um velho poeta,
E sofridas como uma bailarina que se vê rechonchuda.
Todas as palavras sufocaram-me ao peito.
Mas não eram minhas.
Nem eram de ninguém.

Eram apenas do mar e daqueles que lá moram,
Fui eu o tolo de lá tira-las.
O tolo de arriscar-me querido e presente.

Nenhuma carta foi escrita...
Foi só meu olhar perdido no recife
Que as escreveu
E as mandou com as ondas,
Junto com as gaivotas no ar...

Não há de carregar em tuas mãos,
O que os olhos não podem ver.
Não há de carregar com os pés,
O que só o coração pode sentir.

Carregas na alma,
Carregas contigo,
Carregas.
Carregas todo o peso do tempo,
Carregas a amargura do futuro.

Sem notar o que passou,
Descobres que não carregas nada.
Apenas a mera existência.
O corpo sem a alma.
A carcaça,
Cego e tolo.

Carregas cavalo selvagem,
Carregas um gatilho puxado,
Carregas a rosa de Hiroshima.

Porém há de carregar a queda,
O morto,
Os mortos.

Carregas o incompleto e o completo.
Carregas a chuva e o orvalho.
O bebê e o pássaro.
E tu hás de carregar,
Quem a ti também carrega.
Quero o mundo só d'imagens.

Um cão devorando estrelas com seus olhos
                              Um pedaço de papel amassado dentro do lixo
Uma árvore esticando seus galhos na tentativa de abraçar o céu
                              Um homem e seu cigarro
Um pianista com a mente em silêncio

Uma noite rasgada por um meteoro
        Uma prostituta lendo o Soneto de Fidelidade
Um sapato molhado sem o cadarço
        Um cangaceiro berrando por causa do aguardente

Uma pílula que não foi tomada
                           Um livro fechado com páginas amassadas
Um menino procurando uma corda e uma cadeira amarela

Uma música sendo tocada tão longe que não se pode ouvi-la
Um doce que não tem gosto porque não foi provado

Uma máquina fotográfica repleta de lembranças
                Uma tarde tomando sol na praia
                O céu acariciando o mar
Uma menina-careta com areia na boca
Uma tentativa de fugir com uma mala aberta

Um grito suicida do prédio 1407 da Avenida Paulista
                             Uma tarde de sábado e um homem dentro de uma mulher
Um gato malhado que pula de casa em casa
(E assusta a morena)

 Um rio
correndo pra 
abraçar o 
mar
não percebe
que deixou
pra
trás as
pernas
de 
um pescador

A boca do inferno desejando boas-vindas
           Um recém-nascido chorando
por ter recebido o legado da miséria de seus pais
O escarro de um homem que joga futebol
       Uma galinha perdida na rua da cidade grande
A noite servindo de cobertor para aqueles que não o tem

Capitu amando Bentinho
             O bêbado sorrindo porque a Terra toda é mais bonita
Um monge deixando cair sua oferenda

As cruzadas e a
a
    r
e  i  a

Uns gatunos furtando cristais que não existem
          Álvaro de Campos em paz com suas máquinas
Um ouvido que não ouve e uma boca que não beija

Uma poesia perdida na Biblioteca Mário de Andrade
                                                                                Um ônibus que não parou
Um garoto tatuado olhando o céu

Um negro de idade, 
vestindo sapatos sujos e uma boina verde, 
dando tapinhas carinhosos em uma senhora 
de cabelos brancos.

lembrete ao pedacinho


Pequeno pedacinho de vida,
Feixe de luz que ilumina estas flores socadas,
Esmagadas em palavras!
És o único que faz brilhar os dentes das mulatas!

Ai, pedacinho de vida,
Não te escondas em olhares!
Vem brincar em meu tempo,
Que teus dedos são minha bússola!
E teus olhos são dois imãs.

Meu pedacinho de gente,
Esquece o trem das 7h
E lembra comigo do Sol invadindo a varanda...
Não vá dormir que assim tu só cresces...
Fica essa noite,
Pequeno pedacinho de vida.